Sobre a Filmografia Baiana

Sobre a Filmografia Baiana

 

A Filmografia Baiana é o maior banco de dados público dedicado ao audiovisual do estado. Iniciado em 2008 como projeto independente e vinculado desde 2016 à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o projeto documenta a produção de cinema, vídeo e série realizada na Bahia desde 1910 — e já reúne 2.555 títulos catalogados gratuitamente neste site.

 

O grande diferencial deste trabalho é a amplitude. Documentamos curtas e longas-metragens, séries e obras experimentais, independentemente do suporte, gênero, valor artístico ou comercial. Não há hierarquia: o que foi feito na Bahia e chegou a exibições públicas tem lugar aqui.

 

Até 2008, não existia documentação abrangente da produção audiovisual baiana. As iniciativas que existiam se concentravam numa época específica — como o "Panorama do Cinema Baiano" de André Setaro (1976) —, num realizador — como o estudo de Ângela José sobre Olney São Paulo (1999) —, ou num determinado formato — como o levantamento de Paulo Sá Vieira sobre o Super-8 (1984). Pesquisas de qualidade permaneciam restritas ao ambiente acadêmico, de difícil acesso para quem mais precisava delas. A Filmografia Baiana nasceu para fechar essa lacuna.

 

Na fase atual — financiada pelo Edital PNAB-Bahia 009/2024 (Fomento às Artes / Memória e Preservação Audiovisual) —, foram catalogadas 514 novas obras produzidas entre 2017 e 2026, com ênfase em três eixos de aprofundamento: a produção de profissionais negros/as, de mulheres e de realizadores do interior do estado, com atenção especial aos Territórios de Identidade do Recôncavo da Bahia e do Sudoeste Baiano. O projeto incorpora também ações formativas e atividades de difusão em Salvador, Santo Amaro, Cachoeira e Vitória da Conquista.

 

A Filmografia Baiana serve a múltiplos usos: é base para o desenvolvimento de políticas de preservação do patrimônio audiovisual; instrumento de difusão e valorização da produção baiana; ponto de partida para pesquisas acadêmicas e independentes; e contraponto necessário a uma historiografia do cinema brasileiro construída historicamente a partir do eixo Rio–São Paulo, que invisibiliza o que é produzido fora dele.